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Objeto de Estudo : Espaço Natura, Cajamar – SP, 2001

                            Arquitetura: Roberto Loeb e Associados


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1996- 2001 / Rodovia Anhanguera km 30,5


Escolhi o projeto da Natura em Cajamar porque considero o projeto muito interessante não só por mesclar a estrutura em concreto armado com a metálica, mas também por se tratar de uma abordagem diferenciada de um edifício industrial. A preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente tem papel fundamental no desenvolvimento e manutenção da obra.



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- Conceito Arquitetônico


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“Gosto muito da Natura, uma obra em que a relação com o cliente foi interessante. O conjunto ficou adequado à paisagem, pois são vários prédios, contrariando a tendência do macroedifício. É um campus aberto, onde a arquitetura é a relação entre prédios e espaços vazios, formando um conjunto que me agrada, pois tem vegetação, luz natural, passeio, surpresa.”


Roberto Loeb, entrevista para Arcoweb em 27 de abril de 2006


"A Natura queria uma fábrica diferenciada pelo foco humano e pelo respeito à natureza"

Roberto Loeb


O próprio arquiteto define que seu partido inicial era um projeto com características de um “Campus Industrial”, as funções divididas em edifícios distintos comportando todas as atividades que compõem a empresa. O resultado dessas intenções iniciais se traduziu em 12 edifícios interdependentes que conectam espaços abertos e construídos. Muito da identidade da Natura como empresa foi importante na concepção dos espaços, que levaram em consideração não só as diferentes funções que coexistiriam no terreno de 750 000m ² (administração, pesquisa, fabricação, desenvolvimento, atendimento ao consumidor, treinamento, áreas de estoque e distribuição, restaurante, clube, creche e serviços sociais), mas também a preocupação ambiental e do que é economicamente viável.

A história da empresa relacionada às preocupações ambientais levou a um projeto com caráter humano e foco para escolhas sustentáveis. A demanda desse novo espaço foi em função do crescimento da empresa que já cabia mais na unidade de Itapecerica da Serra (localizada em uma área de proteção de mananciais, não existia a possibilidade de expansão).

A escolha do terreno em Cajamar aconteceu em 1996 em uma área declarada de Proteção Ambiental (APA) pela Lei Estadual Nº 4.055, de 04/06/84. A beira da rodovia Anhanguera, o terreno era arborizado e tem um rio (Juqueri) e uma topografia curvilínea; todas essas características já delineavam parte fundamental do projeto mesmo antes de qualquer arquiteto ter sido escolhido. O desafio era trabalhar de forma sustentável em um área ambientalmente protegida.

Pesquisando o processo de projeto encontrei um trecho do briefing que foi mandado aos arquitetos que participaram do projeto e o traduz por completo, hoje que está finalizado:


“O Projeto deve considerar a preservação do meio ambiente, atenuando a agressão ambiental e promovendo a conservação de energia e a integração com a comunidade local. Nesse sentido, deve ser privilegiada a iluminação natural. Devemos procurar, na elaboração do projeto, todos os conhecimentos de adequação ambiental, através de uma auditoria em nossos processos; a valorização da integração harmoniosa com o meio ambiente, mantendo com este uma relação saudável que deve fazer parte da cultura da empresa desde a concepção dos produtos até o destino nos materiais após a sua utilização.”


(Item 10.1.8 do Projeto Novo Espaço Natura)


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Roberto Loeb colocou o conceito de um projeto inovador, com foco na ocupação horizontal que aproveitasse as riquezas que o terreno oferecia e trabalhasse bem os desafios no papel. O resultado é que esse grande espaço Natura que integra todas as gamas da empresa se traduz de forma funcional, esteticamente agradável, com arquitetura refinada e que garante qualidade de vida aos funcionários.



- Conceito Estrutural


O conceito estrutural era trabalhar os volumes a partir das possibilidades dos materiais escolhidos e da combinação dos sistemas de construção do concreto armado e estrutura metálica. Os 12 edifícios são compostos entre destinados a setores operacionais e centros de pesquisa e desenvolvimento, por três fábricas e áreas de treinamento e um bloco destinado aos funcionários (com restaurante, banco, creche, clube e loja) e cada um dos espaços ofereceu diferentes desafios no dimensionamento e flexibilidade dos espaços apesar de se tratar de um projeto horizontal que totaliza 70 000m².

O vidro é utilizado como fechamento em quase todos os edifícios dando ênfase para paisagem e integração dos blocos. As dimensões chamam a atenção quando analisamos uma obra industrial desse porte. As três fábricas foram implantadas formando um pavilhão industrial que se unifica por fachadas anterior e posterior unificadas, com aproximadamente 400m de fachada as três fábricas parecem um só volume.

O uso da estrutura metálica pode ser observado nas passarelas porticadas que ligam horizontalmente os blocos (são duas, uma em cada fachada), sendo um eixo destinado ao uso operacional e outro para circulação de funcionários e visitantes. Outro elemento estrutural interessante são as grandes paredes curvas em concreto de mais de 15m de altura (que unem o estacionamento e as fábricas).

O edifício de pesquisa e desenvolvimento possui empenas laterais de concreto e fachadas, também, em vidro laminado. Esse imenso bloco de mais de 11 000m² de área é interligado às fábrica por passarelas de estrutura metálica.

Do ponto de vista estrutural, fora a utilização de diferentes métodos construtivos em harmonia, o edifício destinado ao treinamento de funcionários e convenções ( nomeado de Núcleo de Aperfeiçoamento Natura) tem suas duas extremidades em balanço (um de 12m e outro de 8m).

No bloco de apoio, destinado as funções para o bem estar dos funcionários é de estrutura metálica com fechamentos em alvenaria. Uma grande varanda (400m x 12m) tem cobertura metálica curva e fechamento em policarbonato.


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- Método Construtivo


Achei interessante ressaltar o processo de implantação do projeto. As escolhas de projeto visavam respeitar ao máximo a área verde e a topografia do terreno, mesmo assim o trabalho de terraplanagem mostra números impressionantes, foram mais de 800 mil metros cúbicos de terra e de acordo com informações encontradas na apresentação do projeto pela empresa 100 mil caminhões trabalhando no transporte de terra.

Mesmo com toda a área ocupada pelo projeto que tem como característica a horizontalidade, ainda foi possível manter a opção de preservar 89% do terreno coberto por vegetação. Durante o processo de implantação da passarela que interliga o clube com o resto do complexo de edifícios houve um pequeno dano à mata ciliar na região que foi posteriormente reparado com o plantio de árvores nativas.

Pareceu-me que os grandes desafios na implantação do projeto se deram muito mais pela grandeza do projeto, a preocupação com a preservação dos aspectos naturais originais do terreno e pelo trabalho dos relevos e taludes e não por condições técnicas específicas com relação ao uso de dois métodos construtivos (concreto moldado in loco e estrutura metálica).

Os taludes proporcionam diversas vistas exuberantes para os visitantes e funcionários, a natureza é plano de fundo constante para aqueles que vivenciam o projeto.

As passarelas de circulação entre blocos e a de observação da fábrica, em estrutura metálica e com fechamentos em vidro, conferem a transparência objetivada do projeto: conferem iluminação natural que otimiza o uso de energia elétrica, vista da paisagem, integração máxima entre ambientes e com o verde do terreno.


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- Usabilidade


A Natura estava muito interessada no foco humano desse projeto pelas entrevistas dadas por Loeb a respeito do projeto. A integração com a natureza e a atenção ao bem-estar dos funcionários são itens que foram pensados desde a concepção inicial do projeto. O projeto tira partido dos materiais utilizados, da implantação e consequente forma de integrar os edifícios para criar espaços abertos que aproveitam a área verde do terreno que é cortado pelo Rio Juqueri.

A preocupação com as sensações que os espaços idealizados causam nos seus usuários fica bem clara pela descrição sensorial dos espaços em entrevista para a revista AU:


"O prédio da recepção possui caráter mais sensorial do que pragmático, pois privilegia o conforto dos visitantes com paredes curvas, poltronas macias, decoração minimalista e vista para um jardim de inverno"


Outro indicador da importância do usuário nesse projeto é o porte das áreas de apoio, os funcionários contam com restaurante, creche, clube, praças cobertas e sobrepostas (que configuram espaços de descanso e calma), espaços sem caixilharias destinados aos fumantes. O intuito era dar toda a assistência necessária para os funcionários, que em sua maioria residem em outras cidades.As fábricas mesmo que projetadas para atender a produção fogem das imagens típicas desses espaços, são bem iluminadas e possuem passarelas para que os visitantes possam ver o processo de fabricação. Existe também a preocupação com o controle de temperatura e qualidade do ar.

No edifício destinado ao Núcleo de Aperfeiçoamento Natura (treinamento e convenções) existe no centro da edificação um pátio de concreto aparente que permite entrada de luz natural por um vão de 15m de diâmetro na cobertura.

Acredito que é um projeto que ficam claras as intenções de pensar nas necessidades dos funcionários e trabalhar as questões de conforto ambiental. Os relatos de funcionários são muito bons com relação a vivencia diária do projeto. Tanto a paisagem verde é sempre um elemento ressaltado como a beleza da arquitetura e a integração dos espaços.

Outro elemento que pareceu ter o carinho dos funcionários é uma parede no edifício destinado aos eventos, que recebe um baile anual para as representantes que completaram 15 anos com a marca, lá cada uma delas deixa sua marca numa parede repleta de história. Nada relevante do ponto de vista arquitetônico, mas é uma boa representação dessa relação próxima com os funcionários.


-Detalhes


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Visão fábrica da passarela de visitantes


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Detalhe - ligação entre estrutura metálica e concreto


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Fechamentos


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Edifício apoio funcionários


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Edifício de embalagens


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Passarela em estrutura Metálica


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Detalhe do balanço


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Materiais


- Situação atual da obra quanto à sua integridade arquitetônica


Está acontecendo alguns estudos juntamente com a Natura para ampliação das fábricas. Trata-se de uma demanda apenas de acompanhar o aumento da produção da fábrica, todos os outros complexos ainda correspondem muito bem a demanda original e mantem-se muito bem preservados ao longo desses anos.

O projeto é bem completo e atende as necessidades da empresa, mas nem sempre num período de tantos anos é possível dimensionar espaços e ser surpreendidos por uma demanda de crescimento ainda maior que o imaginado.

Vale lembrar que os trabalhos da Natura para continuar preservar o meio ambiente tratam-se de uma busca constante, eles estão sempre procurando otimizar o uso da energia solar e minimizar perdas de recursos. Acredito que trata-se muito mais da postura da empresa, que está disposta a investir sempre em novos recursos e manter sua atitude sustentável do que algo relacionado a integridade arquitetônico do projeto.

No quesito sustentabilidade, a empresa está disposta a implementar novos sistemas tecnológicos em busca de uma produção cada vez mais limpa e econômica; assim existiram demandas de alterações que nada dizem respeito ao projeto arquitetônico ou estrutural.



- Situação geral da obra quanto à sua integridade estrutural


Não existiram problemas com as escolhas estruturais feitas. O trabalho de dimensionamento foi bem executado, e por se tratar de uma obra desse porte o escritório trabalhou em parceria com Júlio Kassoy e Mário Franco Engenharia Ltda. no projeto das estruturas em concreto armado e com a Cia de Projetos na estrutura metálica.



- Materiais Utilizados


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Foram utilizadas para a execução do projeto a combinação de estrutura metálica com o concreto moldado in loco. Os fechamentos foram feito em vidro laminado, varando com cobertura em estrutura metálica com policarbonato.

Pisos em mármore, concreto e seixo rolado.

Cobertura das fábricas são de estrutura metálica semi-espacial e telha zipada.



- Sustentabilidade, manutenção e conservação


O posicionamento da Natura quanto a questão da sustentabilidade fez com que se levantassem questões em torno dos seguintes tópicos para elaboração do projeto:

- Qualidade dos serviços: flexibilidade da adaptação, capacidade de manter o desempenho e acesso ao visual externo e serviços destinados aos funcionários setorizados no bloco de apoio.

Espaços foram projetados para que futuras alterações de layout ou crescimento e atendimento de novas solicitações fossem atendidos sem grandes demandas. A capacidade de manter o desempenho diz respeito a facilidade de manutenção, checagem e limpeza. E essa é a parte sustentável diretamente ligada ao projeto de arquitetura, aproveitamento do espaço e uso consciente e inteligente das ferramentas de projeto.

O projeto da Natura Cajamar conta com outras diversas ferramentas sustentáveis para diminuir os impactos que uma empresa desse porte pode causar ao meio ambiente que podem ser explicadas mais facilmente se divididas nos itens a seguir:


- Qualidade do ambiente interno: controle da qualidade do ar e da iluminação (que conta bastante com a iluminação para suprir as necessidades diárias).


- Cargas Ambientais: gestão de resíduos sólidos, tanto os industriais quanto os domésticos recebem tratamento. O material reciclável é recolhido para reciclagem. Resíduos orgânicos provenientes do restaurante são transformados em adubo na central de Compostagem e o material industrial é incinerado.


A grande preocupação era criar recursos para minimizar o consumo de recursos, o tratamento da água é um dos diferenciais do projeto e um fator super interessante para ser explorado:

- Consumo de energia: Para o controle do consumo de energia fora os programas de redução de consumo a prosução de energia sustentável, utiliza-se a energia solar.

Um recurso tecnológico interessante adotado para a diminuição do consumo de energia elétrica foi o projeto de um armazém vertical com capacidade de armazenar aproximadamente 24 mil paletes e embalagens de produtos. Como mencionado, o uso da tecnologia é fundamental para esse recurso de projeto funcionar, são programas gestores de estoques que funcionam por meio de processos totalmente automatizados, toda organização e estoque executados por máquinas que se movimentam percorrendo uma malha dentro do edifício é controlado por softwares. A parte sustentável está na economia com iluminação que não é necessária e o uso de paredes com recursos de isolamento térmico e sem existência de vãos, que racionalizam o uso do ar condicionado.

Fora o a parte projetual de conhecer as necessidades que o uso dessas ferramentas tecnológicas requer e eventuais intervenções como paredes com funções térmicas, o projeto faz ótimo uso da luz natural que ajuda e muito no controle do uso da energia elétrica. Para não existir desperdício de recursos, a fábrica conta que recursos que estamos mais comuns com os quais estamos acostumados ver em nosso dia a dia:

- sensores de presença

- luminárias com fotocélulas, capazes de verificar a luminosidade do ambiente e manter o uso da luz natural o quanto for ideal elas acendem sozinhas quando for necessário.

- estacionamento e os pontos de ônibus são iluminados por luminárias que utilizam a energia fotovoltaica.

- Uso da água:

Com tantas frentes para uma empresa sustentável a que mais me chamou a atenção nesse projeto de fato foi o uso da água: a Natura Cajamar não é abastecida por rede pública, portanto toda água consumida é proveniente dos poços artesianos próprios e da água reutilizada.

O uso dos poços artesianos é dado de forma muito consciente, a Natura só volta a retirar água quando o nível do lençol freático se normaliza.

A fábrica da Natura de Cajamar também tem uma Estação de Tratamento de Efluentes que estava nas exigências de projeto desde sua idealização, tanto por ser uma opção que economizava recursos e por significar nenhuma alteração na qualidade de vida da comunidade da cidade de Cajamar, que não precisa dividir a utilização de água tratada pelas compainhas de saneamento. A estação de tratamento utiliza uma tecnologia de ultra filtração canadense para tratamento de efluentes industriais e tem capacidade diária de tratamento correspondente a uma cidade de 45000 habitantes. Com o uso dessas novas tecnologias a estação não ocupa tanto espaço, na verdade o equivalente a um quinto de uma estação normal.

Dos diversos números apresentados pela eficácia da estação foi o de 30% da água tratada é reutilizada que me chamou mais atenção. Essa água reutilizada abastece os sistemas de combate a incêndio, limpeza de áreas externas, água destinada aos vasos sanitários e também irrigação das áreas verdes.

A água tratada que não é reutilizada é destinada ao Rio Juqueri, em qualidade superior a água do próprio rio.


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- Como o conceito estrutural e arquitetônico evoluiu – como a obra seria concebida hoje?


Posteriormente a data do projeto a Natura concluiu a instalação de hidrômetros em todos os edifícios da fabrica de Cajamar para o controle do uso da água. Com esses acréscimos ao projeto de 2001 houve grandes reduções. O sistema é capaz de detectar com eficiência e rapidez anomalias e reparar rapidamente quaisquer danos.

Já em 2005 com a instalação de uma nova membrana a produção diária passou a configurar 253000 litros, ou seja, um aumento de 10% na capacidade original.

Todas as mudanças percebidas no projeto tratam-se de inovações tecnológicas que possibilitam a Natura sempre reduzir suas perdas e trabalhar com maior e eficácia e responsabilidade com o meio ambiente, não existiu revisões do projeto do ponto de vista arquitetônico ou estrutural. Quanto a esses aspectos os materiais, métodos construtivos escolhidos ainda desempenham muito bem seu papel e não precisariam ser revistos mesmo se o projeto datasse desse ano.

Acho interessante ainda adicionar uma passagem da entrevista de Roberto Loeb para a Revista Techne sobre o projeto da Natura:


“A Natura é considerada um marco no que se refere à arquitetura industrial. Além da estética, foram contemplados aspectos como integração com a natureza e humanização dos espaços. Acha que houve uma mudança no conceito de obra industrial?

Sim. Quando menino, costumava viajar com o meu pai para o Rio de Janeiro, e no percurso observava as fábricas da Johnson & Johnson e a Duchen, do Oscar Niemeyer, hoje demolida. Distantes da estrada, com grandes gramados à frente, eram fábricas bem diferentes daquelas construções desajeitadas, beirando à estrada, onde a integração entre homem, natureza e malha urbana não está contemplada. Desde aquela época, essas fábricas, por suas soluções amplas e generosas, ficaram como exemplos na minha memória. Tanto é que, ao desenvolver a Natura, adotei como princípio o afastamento da construção da estrada. Quem passa por ela, não imagina o que encontrará lá dentro, já que não se trata de uma vitrine, mas de uma obra que desperta a surpresa e que precisa ser descoberta.

 

O que deve ser levado em consideração na hora de projetar uma obra industrial como a Natura?

A Natura foi a primeira oportunidade significativa que tivemos de projetar uma indústria de grandes proporções. Até então, salvo poucas exceções, a ideia de projeto industrial estava relacionada ao conceito de eficiência da construção, do fluxo industrial e do fator econômico. Além desses fatores, a Natura queria que incorporássemos características suas no projeto, ou seja, queria uma fábrica que refletisse a preocupação com as pessoas e com o meio ambiente. Nossa proposta, selecionada por meio de um concurso fechado, baseava-se no conceito de uma pequena cidade ou campus universitário, com espaços de convivência para os trabalhadores e integração com a natureza. Preservamos a mata ciliar do rio Juqueri e propusemos que a empresa adquirisse o terreno do outro lado do rio, para evitar invasões e manter a perspectiva da paisagem. Eles aceitaram. Fora isso, propusemos a reativação da linha de trem Perus-Pirapora como uma linha de turismo ecológico. Esse projeto, aliás, ainda está em desenvolvimento.

 

Quais foram os desafios desse projeto?

Para mim, a Natura foi uma espécie de laboratório de teste e de criação de uma comunidade onde a arquitetura fosse apenas um acessório de todo o conceito. Foi uma experiência muito interessante fazer a integração de uma malha comunitária onde as pessoas pudessem conviver, produzir e criar. Além disso, o projeto sofreu inúmeras modificações. Não existiam dados precisos sobre as necessidades da empresa, de forma que tivemos de atuar conjuntamente com o cliente para definir melhor o programa industrial e áreas dos ambientes. Com as informações que tínhamos, fazíamos desenhos que eram analisados e comentados por eles, até chegarmos ao resultado final e completo.”



- Ficha Técnica


Arquitetura e Paisagismo: Roberto Loeb e Associados Ltda.

Arquiteto: Roberto Loeb

Colaboradores:Luis Sérgio Salcedo Casas, Adilson Yoshimato, Andréa Castanheira, Carlos Eduardo Machado, Cláudia Shirashi, Eduardo Henrique Áquilas Rodrigues, Estevan Martins, Francisco Cassimiro, Jorge da Silva Ferraz, Nicola Pugliese, Nina Furukawa, Paulo Goyano de Faria Jr., Rodrigo M. Loeb, Sandra Maria Alaga Pini, Damiano Aimara Marcondes Leite.

Coordenação geral de obra: FOCO

Arquitetura de Interiores: Roberto Loeb e Associados Ltda.

Arquiteto: Roberto Loeb

Colaboradores: Luis Sérgio Salcedo Caldas, Silvia Ribeiro dos Santos, Luis Antônio Geraldes, Maria do Carmo Boaventura Resende Motta, Maria Lúcia Pugliese.

Coordenação de implantação de interiores: FOCO


Consultores e Projetistas:

Estrutura de concreto: Júlio Kassoy e Mário Franco Engenharia Civil Ltda.

Estrutura Metálica: Cia de Projetos

Fundações: Zaclis Falconi Engenharia e Associados

Levantamento Planialtimétrico: Cota Territorial

Instalações hidráulicas e elétricas: MHA Engenharia de Projetos

Ar-condicionado: Engetherm Projetos Térmicos

Projeto Especiais de Caixilharia: Mário Newton Leme Consultoria de Esquadrias

Acústica: Daltrini e Granado

Luminotécnica: Mingrone Comércio e Iluminação

Consultoria Paisagística e Botânica: Propak Paisagismo

Logística Industrial: Treptau e Associados Cons. e Planejamento Inl. Ltda.

Processo Industrial (primeira fase): Boccard do Brasil

Processo Industrial(segunda fase): ALG

Tratamento de Efluentes: Zenon

Construção: Construcap Engenharia e Comércio


-Bibliografia:


- Escritório Roberto Loeb e Associados, disponível em:

http://www.loebarquitetura.com.br



- Entrevista para Arcoweb, disponível em:

http://www.arcoweb.com.br/entrevista/roberto-loeb-um-dos-27-04-2006.html



- Site da Revista AU, disponível em:

http:/www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/95/imprime23715.asp


- Site Arquitetônico, disponível em:

http://www.arquitetonico.ufsc.br/arquitetura-para-industrias


- Fonte Natura, disponível em:

http://www2.natura.net/Web/Br/ForYou/Hotsites/Premios/download/case_fiesp_merito_amb_2004.pdf

http://www2.natura.net/Web/Br/ForYou/Hotsites/Premios/download/case_eco_amcham_2005.pdf


- Revista Techne, disponível em:

http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/145/imprime131686.asp