Coluna do Juca/Vista nos Telecentros

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REVISADO POR DANIEL "BONEH" NUNES (PEA2007)

título: Windows Vista nos telecentros?!?!

Desde 2001 todos os telecentros de São Paulo operam com o sistema GNU/Linux. Recentemente, entretanto, o governo e a Microsoft assinaram uma carta de intenções que prevê a instalação de Windows Vista nos 178 atuais pontos municipais de acesso à internet, além dos 122 que devem ser inaugurados até 2008. As licenças serão todas doadas pela Microsoft, mas isso não significa que não haverá custos, pois será necessário atualizar os computadores para que seja possível rodar o sistema da Microsoft.

Estima-se que serão gastos cerca de 700 mil reais na compra de computadores com maior capacidade de processamento que os atuais. Numa primeira análise rápida pode-se pensar que o investimento não é em vão, já que de qualquer modo haverá máquinas mais potentes nos telecentros. Entretanto, o desperdício de dinheiro público fica claro quando se leva em consideração que esta capacidade extra de processamento não traz benefícios de fato à população que freqüenta as salas. Todos os recursos de que as pessoas tipicamente necessitam já são supridos de forma econômica, eficiente e estável pela atual solução em software livre baseada numa arquitetura 'thin client'. Trata-se de uma técnica que permite que diversos terminais de baixo poder de processamento simultaneamente usufruam do poder computacional de um servidor central (a única parte cara do sistema) rodando as aplicações remotamente. Nesta arquitetura 'thin client', o custo total da solução é muito inferior ao do modelo de uma super-máquina por usuário e as possibilidades de uso são totalmente satisfatórias para as necessidades de um telecentro.

O principal argumento dado tanto pela Microsoft quanto pelo governo foi a suposta carência de bons softwares livres de suporte a portadores de deficiências. O Vista teoricamente seria a solução para este problema. Entretanto, eu acredito que haveria uma solução muito melhor para isto:

Em vez de desnecessariamente gastar 700 mil reais no processo de migração para o Vista, proponho que o governo gaste apenas a metade, ou seja, 350 mil reais, em bolsas para desenvolvedores de software livre implementarem os softwares de acessibilidade necessários para a inclusão digital de deficientes. O gasto com desenvolvimento de acessibilidade em software livre não apenas seria mais barato, como, uma vez implementado, beneficiaria outros usuários e outros municípios e estados que implantassem sistemas semelhantes. Com metade dos gastos é possível solucionar o problema com tecnologias livres não-excludentes e evitar que compremos de volta a dependência tecnológica da qual já havíamos nos libertado 6 anos atrás.

Felipe C. da S. Sanches

teleco 2007

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