Edifício San Paolo

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Localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima, 2055, na zona Sudoeste de São Paulo, no encontro da avenida Brigadeiro Faria Lima com a rua Gabriel Monteiro da Silva.
Construído em 1998 pela JHS, foi projetado para ser um edifício comercial, com 23 andares, o primeiro no Brasil com múltiplos andares construído em aço.


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DADOS TÉCNICOS

Ficha técnica: construção: JHS; arquitetura: Israel Rewin; interiores: Jorge Elias; cálculo estrutural do subsolo (exceto caixa do elevador): Jorge Kurken Kurkdjian e Jorge Zaven Kurkdjian; cálculo estrutural da estrutura metálica: Steel Consult; cálculo estrutural da caixa dos elevadores: Egeserj; projeto de instalações elétrica, hidráulica, combate a incêndio e supervisão predial: M. H. A.; projeto de ar-condicionado e exaustão mecânica: Engetherm; consultoria e projetos de fundações: Maubertec; consultoria de design de interiores: V. O. A. American Associated; estrutura metálica: Usiminas; elevadores: Schindler; mão-de-obra: Engemon; aço (corte e dobra): Rosin; concreto usinado: Embu; escavação: Transtoninho: serviços de protensão: Protende; fôrmas trepantes: Pashal; escoramento metálico: Rohr e Vigatec; paredes-diafragma e estacões: Brasfond; fechamento: Stamp; pisos e forros: Eucatex; vidros: Santa Marina; instalações hidraúlicas e elétricas: Tecmontal; execução de ar-condicionado: Artec; automação de ar-condicionado: Trane; combate a incêndio: Fire Control; mármores e granitos: Clodomar e Promar; fios e cabos: Pirelli; luminárias: Itaim; caixilhos:Maringá Simone Capozzi.






CONCEITO ARQUITETÔNICO

Sem o paracer do arquiteto Israel Rewin, o presente estudo baseou-se em publicações sobre o edifício San Paolo, em grande parte com foco no “novo-velho estilo”, assim como foi definido pelos periódicos O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Veja São Paulo, que imputarvam-lhe elogios. Tais publicações provocaram uma ampla disussão pelo tema e foram incitação para dois encontros calorosos no IAB/SP, em agosto e setembro de 2003. O conjunto é inovador, um dos primeiros empreendimentos de grande porte construidos no Brasil pela composição de aço e fechamento com painéispré-fabricados de concreto. Segundo Rewin “a idéia era fugir do aspecto caixa de vidro” em voga na década de noventa. O Edificio San Paolo se qualifica na denominada, informalmente, arquitetura neoclassica tardia, pós anos 40/50, uma arquitetura que remete ao neoclassico de forma genérica, caracterizado por prédios residenciais e comerciais de gabarito de altura muito superior ao neoclássico do séc XIX e com ornamentação muito discreta. Uma das aproximações ao clássico ocorre nos elementos de adorno como também na divisão tripartida da fachada relacionada à composição clássica, às colunas, icone da antiguidade, subdividida em base, fuste e capitel, onde para cada parte é estabelecido uma lógica funcional para o edificio. Na base encontra-se o lobby com pé-direito triplo, 12 m, serve de entrada e como salão de recepção. O fuste, corpo intermediario do edificio, compoe-se do pavimento tipo com as salas de escritórios. O capitel é o arremate final onse se localiza o corpo de funcionarios com maiores poderes, salas de reuniões, salas presidenciais e o heliponto.


Divisão clássica do edifício: Base – Ático de acesso; Fuste – pavimentos-tipo; Capitel – cobertura. Disponível na Revista Construção, São Paulo, nº2572, maio de 97.

O edificio possui cinco pavimentos de subsolo, 343 vagas para estacionamento, quantidade considerada desnecessaria pelos empreendedores contudo de interesse da incorporadora a fim de valorizar o empreendimento, sendo o primeiro nivel de subsolo com 3,5m de pé direito admitindo o acesso de caminhões. A proposição do Edificio San Paolo perde sentido quando percebida em seu conjunto arquitetônico; é paradoxal, no modo literal do sentido, onde os elementos que o compõe são contraditórios à sua própria estrutura, a fachada é marcada pela utilização de painéis pré-fabricados de concreto “[...] tecnologicamente de ponta cuja estampa são elementos de ordens clássicas”. (SERAPIÃO, 2004) Na obra construída poderia-se pensar em uma intenção, ingenua ou mesmo deficiente de informação, de uma proximidade com a arquitetura moderna através da pouquidade de adornos. Mas além, é um ato consciente de escolha dessa especifica linguagem e arranjo compositivo, que mesmo de longe faz lembrar o clássico, agradando a população, ou seja, os potenciais clientes do mercado imobiliário, prinicpalmente no campo estético como simbolo de tradição e seriedade que um edificio na Faria Lima deve ter. A utilização do aço como estrutura demonstra uma certa consciencia a respeito de tecnicas correntes, por tal razão, a evidente contradição assumida na estética desse edifiicio é desígnio imagético de afirmação de poder, no caso relacionado a uma postura economica, pois sem uma clara explicação do arquiteto não há capacidade de expor outra causa.


CONCEITO ESTRUTURAL

Devido a localização em área nobre da Cidade de São Paulo os empreendedores aspiravam por um conceito estrutural modelo da alta tecnologia atual em 1995, ano em que o projeto foi solicitado. Resultou no conúbio de aço de alta resistência mecânica e concreto, de maneira que um nucleo rigido de concreto permitisse o apoio do vigamento metalico arrematando a estabilidade da construção. A estrutura metálica atua nas bordas dos pavimentos e os 20 andares do prédio com lajes de 600 m², possui 2,80 m de pé-direito livre. O fechamento das fachadas é feito por painéis pré-fabricados de concreto.


Foto: Estrutura Metálica, Lajes e Painéis de Concreto. Disponível na Revista Construção, São Paulo, nº2572, maio de 97.

O trecho original da Av. Faria Lima, onde foi implantado o edificio, caracteriza-se por terreno rochoso e pela existência de construções vizinhas muito proximas a obra. Somado a tais complexidades o projeto ansiava por edificar um subsolo de cinco níveis de profundidade, ao inverso do um nível usual nessa região. A consequente dificuldade das suas fundações mostrou que a opção pela estrutura metálica era favoravel em comparação a estrutura de concreto no ambito de leveza e, portanto, amenizar o peso sobre os alicerces do edificio, em torno de 20% de peso inferior ao do concreto. O projeto pressupunha uma estrutura muito leve em aço, cujas peças da fachada noroeste possuem ligações simples, sem a estética dos contraventamentos. O carregamento resultante do vento, no sentido noroeste-sudeste é, em grande parte, suportado pela caixa de concreto localizado na parte central da fachada sul, já no sentido nordeste-sudoeste isso não ocorre já que a caixa caracteriza-se como excentrica.Caso as ligações fossem rigidas, o carregamento transversal seria distribuido em 30% para a estrutura em aço e 70% para a caixa de concreto. Contudo, a solução adotada atribuiu a caixa de concreto os 100% do carregamento somados a uma torção. Isso resultou em problemas para as fundações do bloco, agravadas pela dificuldade do solo. (FRUCHTENGARTEN; PIGNATTA, 2012)


Esquema estrutura. Divisão do carregamento de vento entre estrutra da fachada e bloco de concreto (circulaçao vertical).

No Brasil a estrutura metálica era em 1997 e continua sendo mais cara do que o concreto e exige mão de obra especializada, contudo, proporciona diversos beneficios, além de amenizar o peso de carga na fundações favorece um canteiro de obra mais limpo e reduz o tempo de execução em até 6 meses, resultando em ganhos no custo indireto, segundo o engenheiro da JHS Pasqualini. O engenheiro explica que o peso da estrutura de concreto exigiria estruturas mais largas nas fundações, diminuindo assim o numero de vagas de estacionamento. Em 1997, periodo de execução da obra, Pasqualini não soube dizer se no balanço final a estrutura metalica foi escolha mais vantajosa porém, remata que o edificio San Paolo foi o primeiro projeto para uso de escritórios com grande porte a utilizar estrutura metalica e portanto, um aprendizado cujo propósito precípuo era a inovação.








SITUAÇÃO ATUAL DA OBRA QUANTO A SUA INTEGRIDADE ESTRUTURAL

Foto:Ligação entre vigas em estrutura metálica

Conversando com o Professor Julio Fruchtengarten, que participou do projeto das fundações do edifício, a estrutura se encontra em sua integridade estrutural considerando o que foi idealizado em projeto, mas critica esta integridade em sua concepção: enxerga outras possibilidades de trabalhar os sistemas escolhidos mas que pela rapidez com que o projeto foi exigido e os problemas estruturais resolvidos, não deu tempo de serem consideradas. "O fato da estrutura metálica não ter sido considerada como agravante com a caixa de concreto fez com que essa ficasse mais pesada, levando a fundações mais pesadas pois o enrijecimento de toda a estrutura se dá na concentração dos esforços na caixa." Esse foi um dos problemas levantados por Fruchtengarten, que ainda exemplificou que uma solução possível de ser adotada para que as vigas também contribuíssem para a captação dos esforços seria a utilização de placas enrijecedoras soldadas aos pilares e parafusamento de outras à viga para reforçar as junções, como a figura ao lado.



A época da idealização do projeto, segundo o Professor, foi o grande lançamento das placas de concreto. Acredita ter sido este o fato considerado pelo arquiteto para utilizar esta solução em seu edifício. Mas vê aqui outro descompasso, pois a modernidade deste sistema exigiria um método industrial de execução quando utilizou-se formas de madeira. Acrescenta que “(...) a estrutura metálica é vantagiosa pela questão do planejamento, dado que tudo se encaixa, tudo funciona, mas não se relaciona bem com lajes e exige mão-de-obra especializada. O próprio engenheiro, Pasqualini, no meio da obra se arrependeu por ter usado esses sistemas: se tivesse feito em concreto, já estaria pronto.” Há questões, portanto, quanto à integridade estrutural do edifício. A realização de diversos estudos preliminares, permeabilidade entre os escritórios envolvidos para a escolha da melhor solução é o método sugerido pelo professor para que questões como as geradas neste edifício não comprometam o projeto na integridade que busca alcançar.


MÉTODO CONSTRUTIVO

A estrutura do edifício San Paolo é um conjunto formado em estrutura mista, parte metálica, nos pilares e vigas, e parte em concreto, nas lajes, na caixa de circulação, fundações e no fechamento, este feito em painéis pré-fabricados.


Foto: Estrutura Metálica, Lajes e Painéis de Concreto. Disponível na Revista Construção, São Paulo, nº2572, maio de 97.
  • ESTRUTURA METÁLICA

Mais leve em comparação com a de concreto, a estrutura metálica em aço alivia a carga sobre as fundações, permitindo maior flexibilidade no projeto, maior área útil, compatibilidade com outros materiais, além de reduzir, caso possua mão de obra especializada, o tempo de execução da obra. A escolha desse sistema construtivo, atrelado à caixa de concreto de circulação deu-se pela necessidade de reduzir as cargas totais do edifício e otimização do tempo de construção. A estrutura metálica utilizada foi feita em aço SAC-41, fabricado pela Usiminas, cujo desempenho contra corrosão atmosférica, medido em análises e ensaios de comparações, é altíssimo segundo informa a fabricante.










Sistema de fixação e rejuntamento


  • CONCRETO PAINÉIS

Os painéis, feitos sob encomenda, foram produzidos a partir de desenhos preparados pelo arquiteto, que seguiu as linhas do neoclássico italiano, como evidenciado no tópico conceito arquitetônico. Os painéis foram fabricados com concreto de 35 MPa, que confere boa resistência e impermeabilidade. Utilizaram cimento branco com pigmentação vermelha e amarela, como mostram as fotos abaixo. No final, um tratamento abrasivo feito com areia imprimiu às peças o efeito de envelhecimento desejado. O emprego de painéis pré-moldados nas fachadas manteve a produtividade elevada e em sintonia com o sistema estrutural utilizado tanto sob o aspecto de velocidade quanto precisão, qualidade e industrialização.

Fotos da Fachada do Edifício, perceptível a junção dos painéis
Foto: Estrutura Metálica e Painéis de Concreto Stamp usados nas fachadas. Disponível na Revista Construção, São Paulo, nº2572, maio de 97.












  • CONCRETO LAJES E CIRCULAÇÃO

As lajes, com 600m², foram feitas também com painéis pré-moldados. No miolo do edifício está instalada a caixa dos elevadores, que somam ao todo oito máquinas. A estrutura da caixa é feita de concreto a partir do primeiro subsolo e foi executada com fôrmas do tipo trepantes. O engenheiro Pasqualini esclarece que é esse miolo que confere estabilidade à estrutura total do edifício, recebendo todos os seus esforços.


Apostila PEF 522 – Mecânica dos Solos e Fundações. Notas de aula,2009.
  • FUNDAÇÕES

O Edifício San Paolo situa-se num terreno de 18,3 mil m² cujo solo, do tipo residual e repleto de rochas e muita água levou à adoção do sistema de escavação invertida, com paredes- diafragma e estacas do tipo raiz. Totalizam-se 40 estacões, que chegam a 31m abaixo do nível da rua, sendo 32 deles com perfis metálicos incorporados. Segundo depoimento de Luis Carlos Pasqualini, gerente de obra da JSH, o período mais crítico foi a execução das fundações, mais especificamente durante a abertura do subsolo tanto para as estacas quanto para a viabilização da construção dos cinco pisos de subsolo previstos no projeto. Durante o processo de furação do solo, em algumas estacas utilizou-se brocas adiamantadas devido à presença de rochas. As estacas-raiz são estacas escavadas de pequeno diâmetro, concretadas in locu com injeção de concreto. Foram utilizadas para se conseguir atingir a sustentação de todos os esforços concentrados na caixa de concreto. Apresentam como tensão admissível do concreto 100kgf /cm e aguentam cargas de 15 a 130 tf. A escolha desse tipo de fundação foi influenciada devido à proximidade do edifício em estudo com seus vizinhos e suas respectivas fundações, pois como vantagem essas estacas apresentam possibilidade de execução em área restritas, alturas limitadas, em qualquer tipo de terreno e em direções especiais, perturbação mínima do ambiente circunstante, além de apresentarem alta capacidade de carga com recalques muito reduzidos. Sua execução é feita em 5 etapas: Perfuração, Colocação da Armadura, Concretagem, Extração da Coluna de Perfuração e Aplicação de Ar-Comprimido, como mostra a figura ao lado:


USABILIDADE

A avaliação da usabilidade do Edifício San Paolo foi desenvolvida através de uma análise de quesitos contingentes à avaliação do uso a partir de critérios de desempenho da norma técnica NBR 15.575 – Norma de Desempenho. Essa avaliação foi baseada no conteúdo das entrevistas realizadas com os professores Júlio Fruchtengarten e Valdir Pignatta. A entrevista com o arquiteto Israel Rewin não foi realizada pela indisponibilidade do arquiteto em atender estudantes e a visita técnica à obra foi barrada pela coordenadoria da administração do edifício. Dentro dos requisitos de desempenho na fase projetual, os usos dos espaços; previsão de ampliações; e grau de sofisticação (Triple A), tem-se a concepção arquitetônica, desenho e projeto, que resultam em projetos arquitetônicos específicos, como o projeto da estrutura, projeto hidráulico, elétrico, etc. Após essa compatibilização, na fase executiva do projeto e as possibilidades de uso são consolidadas, retomando os requisitos de desempenho. A avaliação de desempeno em relação à segurança contra incêndio é um dos grandes destaques do edifício, e foi o que lhe garantiu exposição internacional. Publicado na revista do International Iron and Steel Institute (IISI - Bélgica), uma revista voltada à arquitetos com soluções inovadoras contra incêndio em estruturas metálicas, o edifício apresentou uma solução simples e muito interessante para proteger suas vigas e pilares.

Detalhe da viga isolada.

Foi proposto um sistema de proteção passiva de segurança contra incêndio em conjunto com sistemas ativos de sprinklers e de material borrifado nas vigas do piso interno. O sistema estrutural metálico, segundo padrões da época, deveriam garantir proteção contra incêndio de 120 minutos nos andares superiores e de 180 minutos no subsolo (estacionamento). As vigas das extremidades foram integradas às placas de concreto pré-fabricados, que foram seladas com alvenarias, isolando as vigas numa “caixa” de proteção contra o fogo. Os pilares metálicos também usaram esse mesmo método de proteção.






ESTRUTURA DE CUSTO

Considerando que as escolhas de determinados processos construtivos e materiais aplicados aos mesmos, assim como sua tecnologia envolvida, são fatores determinantes no custo total da obra, o grupo analisou a economia ou não do processo de pré-fabricação de painéis de concreto e da estrutura metálica, especialmente no tocante à redução do tempo de obra e de desperdício de material, além da segurança dos operários e da agilidade no canteiro. Pudemos perceber que essa decisão estrutural permitiu uma maior economia nas fundações, parte esta responsável por um percentual expressivo dos custos totais, sendo também a que apresentou maior complexidade de execução. O edifício, aliás, foi pensado no sentido de reduzir drasticamente o consumo de aço, chamando a atenção por tal fato. Ocorre que essa decisão jogou ao cálculo do concreto, utilizado na torre de circulação, tivesse que sofrer maiores cargas devido à ação do vento. A redistribuição das forças pela estrutura metálica seria uma solução que utilizaria mais material, mas permitiria uma menor sobrecarga na fundação. Importante salientar esse dado pois foi exatamente a fundação o sistema que consumiu maior tempo e custos da obra, igualando-a, em cronograma, a obras feitas em concreto, ou chegando próxima a esse período. A obra que não deveria durar mais do que alguns meses durou cerca de um ano. Na fala do Professor Pignatta, “na hora que se perde tempo na fundação, perdem-se as vantagens da estrutura metálica”. Em contrapartida, o San Paolo foi o primeiro do país a utilizar painéis de concreto pré-fabricados, o que foi uma escolha acertada na medida em que permitiu uma redução no tempo da aplicação da vedação, mas não só. O uso das mesmas formas na produção dos painéis, a liberdade de desenho, sua durabilidade, além de uma série de outras vantagens foi essencial para a escolha desse método construtivo. O que podemos concluir é que as vantagens de um sistema mais industrializado, de estrutura metálica e painéis de vedação pré-fabricados, foram em parte contrapesadas pela pouca comunicação feita entre o cálculo do concreto com o de aço, que permitiria uma solução de fundação menos cara e arriscada, como foi utilizada afinal.



MATERIAIS UTILIZADOS

Para a análise dos materiais utilizados na obra, nos focamos no sistema estrutural e no de vedação. Pudemos analisar o vídeo institucional da STAMP Engenharia, que mostra um exemplo de como são montadas as vedações de concreto pré-fabricado utilizadas em nosso edifício.

1.Montagem da forma
2.Armação na forma
3.Concretagem
4.Placas prontas para transporte
5.Fixação das placas na fachada do edifício










O mesmo figura entre os exemplos dados. É interessante notar o processo desde a forma até a montagem e fixação. Nosso caso se aproxima muito dessa tecnologia de canteiro e produção, especialmente por seu desenho de fachada regular e específico, na medida em que é de inspiração neoclássica. Queria-se o efeito “limestone”, de inspiração europeia. Para tanto, foi utilizado cimento branco com pigmentação vermelha e amarela. Por fim, um tratamento abrasivo à base de areia deu a textura desejada. O concreto utilizado é de 35 MPa, oferecendo, portanto, boa resistência. Quanto à estrutura metálica, a mesma mostrou-se ser a melhor solução, já que por ser mais leve a mesma aliviaria o peso do edifício sobre a fundação, já muito complexa de se executar. No caso utilizou-se aço da linha USI-SAC-41 da Usiminas. A escolha pela redução significativa do volume de aço na obra solicitou um maior volume de concreto, utilizado no núcleo central de circulação e que serviu de travamento para as vigas de metal. Quanto à caixilharia foram utilizados caixilhos especiais produzidos pela Maringá, pesando 85 kg e medindo 110 x 120mm. O vidro é duplo, sendo o, externo vidro laminado e o interno, vidro temperado, e há entre eles uma persiana de alumínio de 16mm. O mármore foi muito utilizado no hall e nos espaços de circulação, assim como o mogno nos elevadores. Por fim, o piso elevado e o forro são da empresa Eucatex.


SUSTENTABILIDADE, MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO

A questão da sustentabilidade precisa ser avaliada sempre em paralelo ao processo de concepção do edifício, passando por sua construção, manutenção e conservação. No nosso caso, lançaremos mão de uma rápida análise acadêmica desse quesito a partir de tabela desenvolvida no livro “O Guia Básico para a Sustentabilidade”. Isso nos dará uma noção geral da atenção dada, no Edifício San Paolo, quanto aos aspectos mais gerais da sustentabilidade, lembrando que como o edifício data de 1995, ainda não era usual a avaliação do grau de sustentabilidade do edifício por selos internacionais. Nosso procedimento será, portanto, de nível acadêmico-experimental. Infelizmente não conseguimos autorização para circular pelo edifício, razão pela qual não pudemos avalia-lo com instrumentos tais como check-up predial ou vistoria técnica supervisionada. Apesar disso entramos no hall do San Paolo e visitamos seu entorno. Pudemos perceber que há uma boa manutenção do jardim. Havendo inclusive uma pequena obra no piso da entrada no dia em que visitávamos o edifício. Claramente há limpeza constante dos móveis e piso, não havendo nenhuma fissura aparente, piso mal-acabado, tinta descascando ou qualquer outro sintoma que indique falta de manutenção do edifício, pelo contrário, podemos dizer que essa é uma preocupação vital, juntamente com a conservação das vedações, limpeza dos vidros, etc. Quanto à questão de conforto ambiental, destacamos o revestimento interno de dry-wall dos painéis de concreto utilizados na fachada, oferecendo uma excelente condução de isolamento térmico, reduzindo a necessidade de utilização de ar-condicionado em maiores potências, dada redução da carga térmica dos ambientes. Além disso as persianas permitem um melhor controle da insolação, e mesmo a pouca área translúcida, graças ao desenho de fechada marcado pelas fenestrações mais sóbrias.


Método de avaliação da sustentabilidade para estudantes de arquitetura:

Tema Tópico Pontuação Fator
Energia Orientação Solar 3 x3
Abrigo 1 x3
Isolamento 2 x3
Superfície envidraçada 1 x3
Ganho de energia solar passiva 2 x3
Subtotal 22/36
Tema Tópico Pontuação Fator
Materiais Redução de resíduos 3 x2
Fontes locais 1 x2
Reuso (de edificação) 1 x2
Reciclagem de componentes 1 x2
Energia incorporada 2 x2
Manutenção 3 x2
Subtotal 22/36
Tema Tópico Pontuação Fator
Acessibilidade Portadores de necessidades especiais 2 x2
Transporte público 3 x2
Bicicletas 1 x2
Pedestres 3 x1
Subtotal 15/21
Tema Tópico Pontuação Fator
Saúde Materiais construtivos naturais 1 x2
ventilação natural 2 x2
Iluminação natural 2 x2
Estresse 2 x1
Contato com a natureza 1 x1
Subtotal 11/24


Manual retirado do livro O guia básico para a sustentabilidade, de Brian Edwards, página 95. Pequenas modificações. Pontuação simplificada de 1 – ruim, 2 – razoável, 3 – bom. Consideramos, portanto, critérios qualitativos do que seria o ideal em cada quesito. Os itens “Recursos (solo) e (água) foram suprimidos por não termos dados suficientes para análise.

A primeira conclusão a que podemos chegar é que em todos os quesitos, menos no Saúde, o edifício se sai razoavelmente bem, considerando-se que à época que foi construído o mercado ainda não tinha uma preocupação grande com a questão da sustentabilidade. No quesito Energia, destacamos o bom desempenho do edifício quanto à iluminação natural, tanto por sua altura e orientação, quanto pelo controle de iluminância interna dos escritórios. Já na análise dos Materiais, percebemos uma grande lacuna no que tange o tema dos “3R´s”, redução, reuso e reciclagem, apesar da considerável economia de materiais desperdiçados em obra. Certamente poderíamos utilizar sistemas de economia de energia, como luminárias dimerizadas com sensor de iluminância, painéis fotovoltaicos na cobertura, reuso de águas cinzas,enfim, soluções inteligentes capazes de reduzir os gastos energéticos e com materiais. Importa perceber o potencial de atualização do San Paolo na medida em que ele apenas ganharia com soluções simples, que melhorariam sua imagem frente ao mercado e otimizariam sua utilização. Por fim, fatores como ventilação e iluminação naturais e acessibilidade não estão diretamente ligados à função do arquiteto e engenheiro. Os primeiros porque são inviáveis quando do programa do edifício de escritórios, que precisa de ambientes controlados térmica e acusticamente; o segundo por depender de uma dinâmica urbana de micro e macro acessibilidade além do poder dos profissionais envolvidos na obra.




O trabalho é de autoria dos alunos Jaime Solares, Julia Polli, Tatiane Teles e Vitor Araujo, realizdo para a matéria PEF 2603 Estrutura na Arquitetura III Sistemas Reticulados e Laminares.


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